José Aparecido Carlos Ribeiro, economista, pesquisador e professor é meu amigo há tempos. Dividimos uma banda de garagem ali pelos anos 90 quando engatinhávamos em nossos fazeres profissionais e, mesmo depois disso, tentamos publicar um livro de ficção científica que daria uma EXCELENTE série para qualquer canal que topasse.
Devaneios a parte o que vale mencionar é que seguimos numa saudável troca de e-mails há dez anos, sobre temas como economia (sua especialidade), comunicação (a minha), cinema, quadrinhos e teorias conspiratórias universais – que aliás é um dos temas de um livro de ficcção científica que começamos a escrever e daria uma EXC…já falei sobre isso, né?
Para seguir com o Ping-Pong, resolvi convidá-lo para me ajudar a entender por que a blogosfera brasileira não cria tantos blogs sobre política quanto eu acho que poderia (ou até mesmo deveria).
Antes de começarmos, vale lembrar que o próprio entrevistado tem um blog que acompanho diariamente, o Meta-Blog do Z.E.H.
Mas vamos lá, sem mais delongas:
Mauro#ping:Por que tão poucos blogs significativos sobre política/economia no Brasil?
Não acho que sejam tão poucos. Talvez poucos em relação aos temas tecnológicos, internéticos – mas cada um deles é mais pesado isoladamente do que qualquer blog de web2.0. Acho que temos duas questões pra começarmos a pensar:
- Coletar e analisar informação sobre qualquer tema requer 1-conhecimento e 2-network
Um blogueiro de memorabilia ou web tem mais acesso ao conhecimento específico necessário e também à rede de interlocutores envolvidos no tema - inclusive por uma questão de identidade cultural ou de geração, eu acho.Mas construir um bom blog de política implica ter um caderninho de telefones que só que tem boas passagens pelo jornalismo formal ou pela atividade política pode dar.
Hoje certamente já estão por aí alguns jornalistas que já começam sua carreira no meio dos blogs. Talvez daqui a 3 a 5 anos, seus nomes comecem a ter peso próprio, dependendo do seu talento e profissionalismo e do que consigam construir de contatos de fontes. Mas apenas olhar o panorama político a partir do noticiário e soltar opiniões, sem ter uma única fonte interessante para acrescentar, não configura um bom blog jornalístico, eu acho. Continua sendo um blog pessoal.
- Jornalistas que migram para a web percebem o poder das comunidades
Uma outra coisa para se pensar é que esses jornalistas-transformados-em-blogueiros começam a perceber o poder das comunidades que se formam em torno dos blogs. Enquanto alguns ficam valorizando apenas os aplausos e as vozes concordantes, outros detectam novas e poderosas fontes, anônimas, mas às vezes bastante técnicas.Então de repente você descobre que um dos seus leitores comentaristas está morando na Rússia, ou em Mianmar, e pode te dar um testemunho interessante. Que um deles é engenheiro aposentado da Petrobras e pode te explicar, tintin por tintin, afinal o que é esse papo de “petróleo pré-sal e pós-sal”.
E para dar um exemplo concreto: no caso do acidente do Airbus da TAM, enquanto a cobertura da imprensa formal ficou uns dois ou três dias apurando a questão do “grooving” na pista, na mesma madrugada os blogs já chamavam a atenção para a probabilidade de falha técnica na turbina ou no reverso – dado a velocidade que o avião demonstrava nas imagens.
Acho que essa flexibilidade ou velocidade melhor da cobertura da blogosfera teve muito a ver com os comentaristas anônimos que de repente se tornam técnicos e profissionais a serem ouvidos. Comunidades que perpassem várias profissões, gerações, lugares, ideologias etc são um ativo valiosíssimo.
Concluindo: os blogs podem ser um lugar difícil pra começar um blog de jornalismo político estrito sensu
Mas formar uma comunidade em torno de si pode facilitar tremendamente a construção de um blog jornalístico – com mais temas do que apenas colunismo político. Como juntar as duas pernas é que é o limite atual, eu acho, que só é rompido por quem traz o network de outras mídias ou por aqueles que são impressionantemente bons, como o Pedro Doria.
Zeh#pong:Como um profissional de qualquer Área não-WEB pode aprender a desenvolver e aproveitar o potencial de uma comunidade. Por onde ele deve começar?
As ferramentas estão aí, são criadas para quem não tem a mínima bossa com qualquer tipo de tecnologia. No entanto, a resposta a sua pergunta está em outra questão, muito menos “prática”.
Tem a ver com o poder de respeitar, gerar e saber gerenciar o fluxo de produção/consumo de conteúdo e opiniões que é o que, em primeira e última análise, forma o “poder da comunidade”.
Arrisco, portanto, a indicar a qualquer profissional do médico ao comerciante que, em sua área de negócio, fareje onde está este fluxo. Para onde vai, de onde vem, onde é mais forte e em qual margem é mais propício para ancorar. A simples observação pode revelar necessidades e oportunidades muito mais valiosas do que o “vou abrir um blog e ver o que dá”.
Após esta identificação, pense num foco preciso e evite generalidades. Foco não só no que se refere ao conteúdo mas ao objetivos seus com o espaço: quer arrebanhar seguidores para uma causa? Quer divulgar sua área de pesquisa? Quer atrair debatedores? Enfim, o que vale é que para cada grão que você quiser tirar da comunidade precisa depositar dois para que ela consuma.
A gestão de comunidades não é campo de predadores. O coletivo é inteligente e sabe diferenciar o joio do trigo.
Antes de terminar o papo, pedi ao Zeh que indicasse cinco blogs “políticos”. Sua relação foi a seguinte: Reinaldo Azevedo, Luis Nassif, Roberto Jefferson, Ricardo Noblat e Pedro Doria.
E aí, coletivo, vocês concordam, discordam?
Não acho que sejam tão poucos. Talvez poucos em relação aos temas tecnológicos, internéticos – mas cada um deles é mais pesado isoladamente do que qualquer blog de web2.0. Acho que temos duas questões pra começarmos a pensar:
Andre Passamani integra um time raro de profissionais preocupados com o conteúdo real de suas produções. Discussões de forma são necessárias, obviamente, mas o que será que veio primeiro: o ovo ou o granjeiro?

Onde estão os blogs sobre política?
Ouvimos muito pouco sobre blogs de política e economia. Onde está a opinião desta gente relevante? É possível usar o poder de comunidades em projetos sociais?
Não tem o blog do Mino Carta aí?
E o Conversa Afiada do Paulo Henrique Amorim? Não é bem um blog mas é mais blog que alguns citados por explicitar a opinião do seu autor sem fingir objetividade.
Além de tudo, o cara tem 80 anos e faz um blog digitando numa Olivetti!
E discorda da média sem fazer média…
Boa tarde,
Muito interessante seu site. Estou lançando um blog, quando puder acesse.
mateuspizetta.blog.terra.com.br
Obrigado.