André Passamani faz parte de um time que mas parece uma guilda renascentista onde, num grande galpão, todos buscam esculpir o cavalo de bronze do arqueduque de Sforza. Tá, Mestre Leonardo já fez isso em milquatrocentos e Aracy de Almeida, mas tivesse ele nascido no final do século XX e portanto hoje com seus 20 e poucos, com certeza estaria mostrando a pasta por lá. Os caras tem a manha. Falo da Colmeia.TV
E foi por isso que fiz o convite ao André depois de um bate-papo sobre o tema conteúdo em blogs que trocamos via Gtalk. É um tema recorrente, eu sei. Mas soa válido porque foi justamente sobre esta recorrência que decidimos falar.
Mauro, agora estamos vivendo uma movimentação muito rápida. Os hábitos de consumo de mÃdia estão mudando. Nossa geração (25 a 35 anos) é uma geração de transição. Mais nerd. Diferente do que era o padrão. Quando eu era moleque, ser nerd, gostar de computador, não era legal. Não era cool. Hoje, os nerds estão no poder. O Campus Party foi isso aÃ. Uma declaração de vitória transmitida em blogs, no twitter e em toda “tal” de social media. O próximo termo da moda, pra mim, é o nerdfotainment! Essa eu aprendi ontem com o malungo aqui no trampo…
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Então é natural que a gente se impressione e queira falar mais disso. Até pela empolgação - empolgação nossa, dos nerds - agora vestidos de oráculos. Mas concordo contigo. A relação forma-conteúdo está desequilibrada, no Brasil ainda mais viu?
Muita gente enxergando tudo isso como uma foto (algo estático) e não como um filme (algo em movimento).
Eu concordo contigo. Apesar da relação entre forma e conteúdo ser cada vez mais intrÃnseca, quem quer fazer conteúdo tem de pensar num jeito diferente de realizar a idéia. Mas se você fica numa discussão de forma cai numa aridez, na masturbação e esquece o principal. Qual a sua idéia? Que piada/história/crença você quer contar? Depois disso, e antes de discutir a forma, você tem de pensar qual é o tom dessa mensagem.
Há uns dois meses atrás enviei uma crônica que vai sair num livro sobre tendências no mercado digital. Como conheço o time e sei que muita gente vai falar sobre o tal formato, resolvi brincar um pouco e escrever um miniconto narrando como será a vida de um editor daqui há 20 anos. Não vou antecipar para não estragar a surpresa mas, basicamente, um profissional de conteúdo será um grande condutor de fluxos de produção do mesmo. Conhecer e entender a movimentação de grandes correntes. Ver o rio e não entrar, apenas jogar o barquinho de papel na hora certa.
Largando o lado figurativo de lado um pouquinho: num mundo cada vez mais áudio-visual caberá a nós entender que isso será conteúdo tanto como o texto que hoje produzimos. Para mim, que gosta de pesquisar e chafurdar por fontes (feeds, livros, contatos, para não perder o tom de o que vale é o conteúdo e não a forma :D) isso é um bônus maravilhoso. Poder trabalhar com um copião imenso chamado produção global de contéudo áudio-visual.
É claro que vamos ter baixas nesta batalha, sobretudo profissionais. Muita gente vai continuar pensando de forma centralizada e não colaborativa e aà reside o prejuÃzo-ameaça: podemos cair novamente na discussão vazia do formato, de comissões disso e daquilo e não saber contaminar/evangelizar a clientela com a boa-nova.
Acho que o eqüilÃbrio vamos encontrar como você bem falou: contando histórias antes de pensar em imprimi-las, divulgá-las, gravá-las e cobrar os devidos cobres. Sei lá, basta lembrar que há 70 anos atrás a TV não existia e vivÃamos o auge de um mundo todo em áudio e mono, no que se refere a comunicação de massa e hoje..
Pra fechar este papo muito bacana, dá uma sacada no videocast onde André, Kazi e Dudu comentam as andanças deste pela europa, inclusive pela terra onde Garrincha deixou toda uma parelha de herdeiros:
É a proposta de Yves Behar, que está por trás de alguns projetos de sucesso como o XO Laptop.
Andre Passamani integra um time raro de profissionais preocupados com o conteúdo real de suas produções. Discussões de forma são necessárias, obviamente, mas o que será que veio primeiro: o ovo ou o granjeiro?
Documento publicado pelo Ministério da Cultura em março de 2006 com a expressa intenção de “sugerir um roteiro para as diversas decisões a serem adotadas para realizar a complexa tarefa de implantar a Televisão Digital no Brasil.”