Anotações para o futuro

Tendências em 9 de Julho de 2008 •

Sempre fui fã de cadernos de anotações. Quem me conhece sabe que coleciono os meus desde muito novo. Entre planos, listas infinitas de boa parte dos lançamentos de quadrinhos, estratégias, contos, planejamentos vários; tenho no escritório aqui de casa uns 10 cadernos catalogados e guardados desde 1985.

Quando tinha absoluta certeza de que aquilo seria só mesmo para mim ou para os mais próximos – beeem próximos - , era tranqüilo. Era um passatempo, um registro biográfico meio auto-ilustrado e estamos conversados. Aliás, nem conversados estávamos: estava eu monologamente combinado comigo mesmo.

Tempos depois, ao começar a trabalhar e atender meus próprios clientes, o caderno de anotação da temporada (neste ano são dois: um A5 e outro A6, só para pensamentos e afins) assumiu uma função mista de acompanhamento de reuniões, rascunho de idéias, nascimento de projetos (com wire frames e layouts para todos os lados). E o mundo entrou na encadernação. O que era de dentro pra dentro, começou a receber informação de fora.

E foi aí que…

Eu percebi que muito do que vejo no mercado – a metáfora de uma imensa redação de jornal que produz apenas para ela mesma -, é um desdobramento deste sentimento de produção pra dentro. Produzimos para dentro porque na grande maioria somos um time de gente que cresceu assim, ciente do íntimo de suas idéias.

É óbvio que temos os que funcionam mais “pra fora” do que “pra dentro”. Mas, como um Didi contemporâneo, “caso dez pila” que nossa força produtiva não alcança a massa crítica do povo que chega a internet sedento de relacionamentos e conteúdo, porque somos assim, entocados em castelos de segurança auto produtiva.

Seguimos nossas modas (blogs, twitters, facebooks), porque fomos nós que as criamos. Lemos nossos amigos porque são, nossos amigos e na maioria das vezes, concordam com aquilo que escrevemos também.

Comemorando os 150 anos da teoria da evolução, vai aí um lembrete: espécie que não se diversifica, morre até de gripe.

Portanto…

Vamos abrir as portas deste estúdio-laboratório-ateliê mental e deixar entrar o ar da rua. Vamos reaprender com nosso próprio povo, reinventar as regras que criamos em dez anos, porque temos mais 30 pela frente.

Somos quarenta milhões de gente de todo tipo, raça, credo, orientação moral e formação diferentes. Até quando vamos falar a língua de 0,00001% de todos nós?

4 Comentários para “Anotações para o futuro”

  1. Mauro via Rec6 -

    Anotações para o futuro numa internet para todos…

    Será que o mercado de profissionais web cresceu com uma tendência de produção “pra dentro”, sem ouvir a voz da população que agora chega em peso?…

  2. Felipe Gomes -

    Fenomenal post, Mauro.
    Coincidentemente é exatamente sobre isso que conversamos hoje pela manhã, concorda?

    Vivemos nos relacionando em ferramentas e redes sociais que nós mesmos criamos e alimentamos, fechando as portas para muitas pessoas que estão chegando agora.

    Isso deve mudar urgentemente, pois “panelinha” nunca foi bem vista em lugar nenhum, quiça na Internet, que na teoria - pelo menos - se trata de uma REDE MUNDIAL de computadores.

    Isso me fez lembrar de uma frase que vi há algum tempo e jamais esqueci: “One thing that we all have in common is that we’re all different” (Uma coisa que temos em comum é que todos somos diferentes”).

    Viva a diferença, viva a democracia virtual!

    Parabéns pelo post.

    Um grande abraço,
    Felipe Gomes.
    http://www.felipegomes.com.br

  3. Bárbara Hartz -

    Como disse o Felipe: viva a democracia virtual!

    E eu acrescento: viva a democracia virtual e a real!

    Tanto em um universo quanto em outro, o segredo para conviver com a diferença é, antes de tudo, percebê-la, e depois, respeitá-la, para que o diálogo possa ser estabelecido. Predispor-se ao diálogo é um primeiro passo para nos comunicarmos bem com os outros, pelos meios eletrônicos ou pessoalmente.

    Concordando com as preocupações do Mauro, que ele externou muito bem, acho que o exercício da democracia real pode contribuir bastante com a virtual e vice-versa.

    Unir o real ao virtual é um grande desafio para todos nós.

  4. Demetrio -

    Mauro, fiquei curioso, cadê as fotos dos caderninhos?

Leave a Reply

Criar objetos que contem histórias

É a proposta de Yves Behar, que está por trás de alguns projetos de sucesso como o XO Laptop.

Andre Passamani: nerdpower e o equilíbrio forma-conteúdo.

Andre Passamani integra um time raro de profissionais preocupados com o conteúdo real de suas produções. Discussões de forma são necessárias, obviamente, mas o que será que veio primeiro: o ovo ou o granjeiro?

Documento do Ministério da Cultura sobre TV Digital

icon para downloadDocumento publicado pelo Ministério da Cultura em março de 2006 com a expressa intenção de “sugerir um roteiro para as diversas decisões a serem adotadas para realizar a complexa tarefa de implantar a Televisão Digital no Brasil.”

Clicky Web Analytics